Sobre engordar e emagrecer e como isso é mais complexo do que parece
Acho importante contextualizar minha situação aqui nesses primeiros posts porque pode te fazer se identificar ou não com os meus relatos e assim você pode ponderar melhor as minhas experiências para o teu momento e a tua realidade.
Eu nunca fui uma pessoa magra. Desde pequena. Pedia feijão com farinha de papinha logo cedo - é o que conta orgulhosa a minha mãe pra me envergonhar na frente dos meus amigos. Resultado disso foram pernas e braços roliços. Uma criança não obesa, mas sempre um pouquinho acima do peso ideal. Foi assim na adolescência quando aos 13 anos e 53 kg tive um linfoma de Hodgkin. Engordei 11 kg durante o tratamento que durou 9 meses. Emagreci 6 kg após o fim do tratamento e nunca mais baixei de 58 kg. Engordei 4 kg na faculdade. Mais dois kg após formada. Emagreci 3 ou 4 kg para casar, em 2012 com incríveis e suados 60kg - mas eu estava malhada - e engordei 4 kg uns 4. Esse depois de casar e voltei pro zero a zero com a balança.
Um ano depois do meu casamento fui diagnosticada novamente com um câncer. Isso foi em 2013 e eu estava pesando 64 kg. Comecei o tratamento e junto com isso meu ritmo de vida agitado se transformou em longos dias parada em casa. Rotinas de trabalho de transporte público se transformaram em carro pra todos os lados e muita, muita auto-indulgência traduzida em comilança sem muito critério de qualidade e quantidade.
Foi assim que, em 4 anos de tratamento engordei 10kg, emagreci 5kg, voltei a engordar e cheguei a 76,6kg.
Mas não pense você que eu não sofri com meu peso e que não tentei baixar. Ao contrário, foi muitas matrículas em academia ao longo de 4 anos. Pra ser exata, passei por 3 academias. 2 planos anuais. Aulas de spinning, natação, musculação, ioga.
Também fiz varias visitas a nutricionista(s) ao longo desses 4 anos. Foram duas nutricionistas. Também comecei a acompanhar meu peso com a endocrinologista, já que desenvolvi colesterol alto e hipotireoidismo.
Entre tentativas de dieta, alguns remédios para ansiedade e tentativas de encontrar uma rotina de atividade física, também fiz terapia, pelo menos 4 anos de terapia. Ocasionalmente a questão do peso, da compulsão por comida e das tentativas frustradas por emagrecer eram assunto nas sessões de terapia, mas optamos por tratar questões mais importantes naquele momento - você pode imaginar.
Tudo isso para dizer que, gente, não é nada fácil emagrecer. Porque simplesmente são muitos fatores que envolvem a relação que temos com a comida. Aparentemente eu fiz tudo o que os especialistas recomendsm fazer para uma pessoa emagrecer: procurei fazer exercícios, reeducação alimentar, acompanhei com médico e psicólogo para investigar distúrbios metabólicos e psicológicos.
Apesar de todos esses esforços eu sempre me culpei por não conseguir emagrecer. Me considerava fraca e preguiçosa. Sem força de vontade. Resisti por muito tempo a tomar remédio porque acreditava que seria capaz de emagrecer sem a ajuda de medicamentos. Acontece que, um mês atrás tive a confirmação de um dos meus médicos que a medicação que eu estou tomando aumenta o apetite. Pensa numa pessoa que sempre teve um apetite bacana de dar gosto a qualquer avó. Agora pensa nessa pessoa tomando um remédio que aumenta o apetite. Assim fica difícil ver o resultado de qualquer esforço na academia né.
Além de não ver resultado nos meus esforços, o ganho de peso prejudica o meu tratamento. Assim, tive a liberação dos oncologistas para que a endocrinologista prescrevesse o Victoza. E decidi aceitar a ajuda do remédio. E estou muito feliz! Mais encorajada a me alimentar direito e fazer os exercícios! Esperando que tudo dê certo pra eu ter um final feliz pra contar pra você.
Acho importante contextualizar minha situação aqui nesses primeiros posts porque pode te fazer se identificar ou não com os meus relatos e assim você pode ponderar melhor as minhas experiências para o teu momento e a tua realidade.
Eu nunca fui uma pessoa magra. Desde pequena. Pedia feijão com farinha de papinha logo cedo - é o que conta orgulhosa a minha mãe pra me envergonhar na frente dos meus amigos. Resultado disso foram pernas e braços roliços. Uma criança não obesa, mas sempre um pouquinho acima do peso ideal. Foi assim na adolescência quando aos 13 anos e 53 kg tive um linfoma de Hodgkin. Engordei 11 kg durante o tratamento que durou 9 meses. Emagreci 6 kg após o fim do tratamento e nunca mais baixei de 58 kg. Engordei 4 kg na faculdade. Mais dois kg após formada. Emagreci 3 ou 4 kg para casar, em 2012 com incríveis e suados 60kg - mas eu estava malhada - e engordei 4 kg uns 4. Esse depois de casar e voltei pro zero a zero com a balança.
Um ano depois do meu casamento fui diagnosticada novamente com um câncer. Isso foi em 2013 e eu estava pesando 64 kg. Comecei o tratamento e junto com isso meu ritmo de vida agitado se transformou em longos dias parada em casa. Rotinas de trabalho de transporte público se transformaram em carro pra todos os lados e muita, muita auto-indulgência traduzida em comilança sem muito critério de qualidade e quantidade.
Foi assim que, em 4 anos de tratamento engordei 10kg, emagreci 5kg, voltei a engordar e cheguei a 76,6kg.
Mas não pense você que eu não sofri com meu peso e que não tentei baixar. Ao contrário, foi muitas matrículas em academia ao longo de 4 anos. Pra ser exata, passei por 3 academias. 2 planos anuais. Aulas de spinning, natação, musculação, ioga.
Também fiz varias visitas a nutricionista(s) ao longo desses 4 anos. Foram duas nutricionistas. Também comecei a acompanhar meu peso com a endocrinologista, já que desenvolvi colesterol alto e hipotireoidismo.
Entre tentativas de dieta, alguns remédios para ansiedade e tentativas de encontrar uma rotina de atividade física, também fiz terapia, pelo menos 4 anos de terapia. Ocasionalmente a questão do peso, da compulsão por comida e das tentativas frustradas por emagrecer eram assunto nas sessões de terapia, mas optamos por tratar questões mais importantes naquele momento - você pode imaginar.
Tudo isso para dizer que, gente, não é nada fácil emagrecer. Porque simplesmente são muitos fatores que envolvem a relação que temos com a comida. Aparentemente eu fiz tudo o que os especialistas recomendsm fazer para uma pessoa emagrecer: procurei fazer exercícios, reeducação alimentar, acompanhei com médico e psicólogo para investigar distúrbios metabólicos e psicológicos.
Apesar de todos esses esforços eu sempre me culpei por não conseguir emagrecer. Me considerava fraca e preguiçosa. Sem força de vontade. Resisti por muito tempo a tomar remédio porque acreditava que seria capaz de emagrecer sem a ajuda de medicamentos. Acontece que, um mês atrás tive a confirmação de um dos meus médicos que a medicação que eu estou tomando aumenta o apetite. Pensa numa pessoa que sempre teve um apetite bacana de dar gosto a qualquer avó. Agora pensa nessa pessoa tomando um remédio que aumenta o apetite. Assim fica difícil ver o resultado de qualquer esforço na academia né.
Além de não ver resultado nos meus esforços, o ganho de peso prejudica o meu tratamento. Assim, tive a liberação dos oncologistas para que a endocrinologista prescrevesse o Victoza. E decidi aceitar a ajuda do remédio. E estou muito feliz! Mais encorajada a me alimentar direito e fazer os exercícios! Esperando que tudo dê certo pra eu ter um final feliz pra contar pra você.
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